Empreender sozinho? Não, em Comunidade!

Empreender é, por si só, um conceito de natureza incerta. Acarreta coragem, criatividade, resiliência, dedicação, tempo e responsabilidade, mas é sempre acompanhado por uma pitada de incerteza e risco. A única garantia é que, ao empreender, não sabemos o que irá acontecer. Não sendo (ainda) possível retirar o risco e incerteza inerentes ao ato de empreender, a necessidade de aprender, ouvir e partilhar desafios, decisões e barreiras durante a gestão de um pequeno negócio é uma das mais aclamadas pelos empreendedores. Este artigo ajuda-te a perceber como é que uma Comunidade de empreendedores te pode ajudar a minimizar o risco e a incerteza de uma jornada que pode ser tão dolorosa como maravilhosa.

Uma das premissas a ter em conta ao empreender é que a jornada a iniciar é maioritariamente solitária. A não ser que o empreendedor viva num contexto familiar e/ ou de amigos empreendedores, pode ser difícil para os parentes mais próximos compreenderem na sua plenitude as dificuldades e decisões sentidas – porque não as experienciam em primeira mão. Para além disso, empreender implica aprendizagem constante, acompanhada de erros e decisões importantes – a reflexão com alguém que tenha vivido/ esteja a viver situação semelhante e que ajude a ultrapassar certas barreiras é procurada e muito bem vinda.

É com base nestas necessidades que se têm vindo a formar Comunidades de empreendedores. Estas podem existir por iniciativa própria de um grupo de empreendedores que se mantém em contacto (geralmente mais pequenas), ou por organização e gestão de uma entidade relacionada (como é o caso da Impulso e da sua comunidade de empreendedores). Hoje em dia, com o boom existente das redes sociais e do go digital, o conceito de pertença a uma Comunidade (independentemente da sua área de interesse) ganhou outra abrangência e adesão (devido à facilidade de integração e envolvência).

Mas o que é uma Comunidade de empreendedores?

Uma Comunidade é um grupo de pessoas que se juntam por terem os mesmos interesses, objetivos, valores ou necessidades. Tem uma forte componente de partilha, colaboração e identificação mútua entre os membros, o que origina um certo nível de informalidade. Esta conexão e identificação dos membros através dos mesmos valores (muito importante) e objetivos, interesses ou necessidades é essencial para que o indivíduo se sinta parte (e queira fazer parte) da Comunidade. Numa Comunidade que gera valor, a pertença é voluntária, assente na crença de que todos ganham por fazer parte, podendo até sentir orgulho nisso mesmo.

Uma Comunidade de empreendedores (numa perspetiva geral) é uma Comunidade formada por empreendedores (do mesmo ou de diferentes setores de atividade, de fases similares ou diferentes do negócio), que crescem e se ajudam mutuamente através da colaboração, partilha de experiências, desafios e soluções.

Dependendo da média de idades e da abrangência geográfica da Comunidade, esta pode existir apenas online (num grupo de facebook ou whatsapp, por exemplo), apenas offline (através de encontros presenciais) ou num equilíbrio entre os dois. O normal é que, independentemente do formato inicial a Comunidade caminhe para uma interação mista (off e online): a criação de grupos online para grupos que se formaram através de encontros presenciais facilita a organização e continuidade desses mesmos encontros; para os grupos que se tenham formado online, a construção das relações de proximidade impulsiona os encontros presenciais.

Mas qual o valor gerado numa Comunidade de empreendedores?

É importante compreender que há diferentes níveis de Comunidade, que variam de acordo com o seu valor gerado e interação dos membros dentro da Comunidade, e que há grupos que, apesar de partilharem um interesse comum, não são uma Comunidade (Wenger et al., 2002):

Um grupo de pessoas torna-se uma Comunidade quando, para além de partilharem informação entre elas, partilham igualmente conhecimento. Por exemplo, e aplicando à temática do empreendedor, um Grupo será o conjunto de empreendedores que partilham num grupo de Facebook (por exemplo) eventos e workshops futuros do seu conhecimento sobre temáticas relevantes à operacionalização de um negócio. Já uma Comunidade será o conjunto de empreendedores que, para além de satisfazer as condições de Comunidade já referidas anteriormente, independentemente de partilharem eventos e workshops disponíveis partilham igualmente a sua experiência sobre o setor na sua área de atuação, ou soluções que implementaram no seu negócio durante a pandemia (por exemplo). Numa Comunidade de prática, para além das atividades anteriores os empreendedores criam conhecimento em conjunto (por exemplo, através de grupos de trabalho que se reúnem para estudar um determinado mercado).

Assim sendo, e dependendo do objetivo da Comunidade/ Grupo de empreendedores, estas podem gerar diferentes tipos de benefícios. Ainda assim, e numa perspetiva geral, a partir do nível de Comunidade o empreendedor acede a:

  • Partilha de experiências (“Como reage a minha família ao meu dia-a-dia empreendedor?”; “Como foi a minha primeira interação com um cliente?”; “Como construí o meu website e qual o feedback que obtive?”; “Qual a ferramenta de faturação que utilizo e porquê?”);
  • Partilha de desafios e soluções (“O que fazer quando não consigo vender?”; “Que soluções apliquei durante a pandemia para vender e chegar a novos clientes?”);
  • Partilha de contactos (fornecedores, serviços, potenciais parceiros e clientes (através de referências));
  • Partilha de conquistas (o que incentiva à motivação, conexão e concretização pessoal)!

Como o próprio nome indica, pertencer a uma Comunidade reduz a sensação de “caminhar sozinho” e aumenta o apoio e a colaboração para vingar no mundo empreendedor.

Para que os benefícios sejam maximizados, é fundamental que o empreendedor se identifique com os valores e propósito da Comunidade – o que nos faz sentido numa altura pode já não ser adequado numa outra mais tarde – e que tenha uma intervenção ativa. Se queremos ser ajudados, temos que ajudar: numa Comunidade, só crio valor para mim se criar igualmente para os outros. É importante que os membros estejam engajados para que a criação de valor seja dinâmica, recíproca e constante. Um dos fatores chave é: colaboração. Outro será: criação de valor. E ambos em conjunto originam: valorização.

“O que há de melhor no homem somente desabrocha quando se envolve numa comunidade.”Albert Einstein

Bárbara Covas Lima Coimbra,

Gestora de Comunidade na Impulso

barbara.coimbra@impulso.site

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/bárbara-covas-lima-coimbra-445594117/

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