Empreendemos e agora?

Se até há pouco tempos tínhamos empresários, homens de negócios, donos de empresas, hoje temos empreendedores.

Se, por um lado, podem ser sinónimos – são negócios e, como tal, visam o lucro e gerar empregos –, por outro, os empreendedores são fruto de uma cultura liderada pela inovação e por uma nova visão do mundo.

Segundo o economista austríaco Joseph Alois Schumpeter, o sistema capitalista (não, não é um palavrão e cabe-nos a nós, empreendedores, dar-lhe uma carga mais positiva) baseia-se no processo de destruição criativa, cujo princípio consiste no desenvolvimento de novos produtos, de novos meios de produção e de criação de novos mercados – destruindo o velho para criar o novo.

De facto, sabemos que muitos de vocês – empreendedores – criaram o vosso próprio mercado oferecendo algo inovador, nunca antes visto, que gerou uma nova necessidade nas pessoas; e que algumas das grandes invenções tornaram obsoletas antigas invenções (da disquete, ao CD, à pen, ao armazenamento em nuvem). No entanto, e pegando na definição dicionarística, empreender é “decidir-se a fazer algo, ou a resolver algo, não obstante as dificuldades.”

Empreender é, pois, um verbo de acção e o empreendedor tem de ser alguém disposto a pôr as mãos na massa, a colocar em práticaas suas ideias, a transformar problemas em oportunidades – ou, então, é só um inventor ou um sonhador ou um filósofo com o seu ideário repleto de conceitos que nunca verão a luz do dia– mesmo com medo, com dúvidas, com receios (que todos temos; afinal, começar algo é sempre incerto e envolve mudanças[MJB1] , algo que nos agita e nos inquieta, mas temos de saber controlar, para que não nos controle a nós).

E é logo na ideia que entram as “dificuldades”

Ao contrário daquilo que acontece com o conceito de empresário – que ganhou um cunho negativo ao longo do tempo –, associamos o termo empreendedor a alguém que está activamente a tentar mudar o mundo para melhor.

E como é que o faz?Vendo e resolvendo as dificuldades que o dia-a-dia nos apresenta.

Seres inovador nem sempre significa que tens de “inventar a Internet”, podes”simplesmente” resolver um problema com que te depares todos os dias e que te faça pensar: tem de haver uma maneira mais fácil de fazer isto. E, se é verdade que todos nós o pensámos ou o dissemos em algum momento da nossa vida, poucos são aqueles que agem com vista a resolver efectivamente essa dificuldade – esses são os empreendedores e só esse facto é uma mostra da coragem.

Olhando à nossa volta, compreendemos que empreendedorismo não é um conceito fechado e que tanto podes ser empreendedor se quiseres abrir uma empresa motivado pela tuaauto-realização e pelo desejo de assumires responsabilidades, de seres independente e de fazeres as coisas à tua maneira, como podes ser empreendedor porque tens uma paixão ou um propósito de vida e pretendes criar as ferramentas para os atingires, independentemente de teres ou não todas as características do anterior.

Assim, tanto és empreendedor se tens em vista a tua independência (mesmo que a fazer o mesmo que já se faz) como setens em vista a solução para um problema (mesmo que a fazer algo que parece “meio louco”).

E, embora possas alcançar a fortuna com o empreendedorismo, bem sabemos que tal nem sempre é sinónimo de prosperidade, mas é sempre sinónimo de esforço e dedicação–não pretendo desencorajar ninguém, muito pelo contrário, quero dar-te todas as ferramentas de que possas necessitar para entrares nesse desafio com uma ideia realística e um plano executável.

Sejas tu o tipo de empreendedor que fores, sabemos que tens iniciativa, ousadia, paixão e visão.

Iniciativa para dares o passo em frente. Ousadia para arriscares (muito ou pouco, mas agindo). Paixão pela tua ideia (o motor dos “loucos”). Visão de como se podem fazer as coisas.

No entanto, as características de um bom empreendedor não se ficam por aqui e, além dos atributos acima, se há um outro que está na base do empreendedorismo é a versatilidade – no início, muito temos um “negócio de um homem só” e, quando tal é preciso, esse homem só (que não deve ser solitário, devendo, sim, tentar rodear-se de pessoas que, tal com ele, estão ou estiveram na mesma situação; o que lhe permitirá aprender e enfrentar com mais confiança os obstáculos que se colocam na vida de todos aqueles que algum dia ousaram arriscar) tem de fazer um pouco de tudo.

Na maior parte dos casos, é mesmo assim: o empreendedor começa com uma ideia; depois, precisa de a meter em prática e, para isso, tem de dispor de capacidades técnicas para accionar essas ideias e para organizar recursos financeiros para financiar o lançamento dessa ideia – sabemos que o investimento inicial poderá variar bastante, mas também sabemos que há um investimento inicial essencial para empreender: tempo. (É um investimento, não é uma desculpa! Se te auto-saboteares [MJB2] com a desculpa de que “eu não tenho tempo”, continua a ler e espero que isso te ajude.)

Um dos nossos bens mais preciosos é o tempo

Mesmo as ideias mais simples envolvem despender algum tempo com o projecto.

Há medida que a ideia ganha asas, será preciso dedicares tempo à realização da actividade, às partes legais da mesma (contratos, facturação, impostos), à divulgação da ideia (marketing, publicidade, vendas, reuniões), ou seja, a toda a estrutura que torna a tua ideia num negócio – e, não te esqueças: um negócio tem de dar lucro ou é apenas um passatempo.

Mas, se ainda não empreendeste, não te assustes, não precisas de dominar tudo nem de saber tudo logo à partida. Lembra-te, a principal característica do empreendedor é agir. Começa por agir!

Mas como é que eu faço isso tudo?

Iniciar um negócio é um trabalho difícil, não vou mentir, e podes atirar-te de cabeça ou ires abrindo caminho até chegares ao ponto em que dizes: é agora! Serei empreendedor em regime de exclusividade!

Seja qual for a tua opção, é preciso coragem para largares tudo. Dar o salto requer muita determinação e aprendizagem constante – para amanhã seres muito mais completo do que és hoje e para amanhã a tua ideia ser muito melhor do que era ontem. E envolve, também, saber ou aprender a lidar com situações complexas e diversificadas – que podem ir do planeamento, à tomada de decisões difíceis, ao trabalho simultâneo em várias ideias e com várias pessoas.

E, se é verdade que é logo no início que começam muitas das dificuldades (a que queremos resolver e as que nos apresentam), não é menos verdade que há medida que as coisas avançam vão surgindo novas dificuldades – ou oportunidades; chamemos-lhe, oportunidades, porque são, de facto, oportunidades de crescimento e de evolução – aos empreendedores: a falta de dinheiro para termos uma equipa a tratar de todas essas coisas de que não gostamos, a falta de conhecimentos para tratares tu dessas tarefas, a inexperiência para conseguires encontrar quem te possa verdadeiramente ajudar, a gestão do tempo para conseguires fazer com que tudo corra sobre rodas, etc.

Se é verdade que a ajuda que posso dar-te relativamente às primeiras é limitada, poderei certamente ajudar com a última: a gestão do tempo.

Sobre este tema: a gestão do tempo, falaremos na 2ª parte deste artigo.


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